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Artigo de Imprensa / Ago 10, 2018

Empresas B Corp: Olhar para o planeta e para as pessoas com respeito

Green Savers, 10 Agosto 2018

Imagine um mundo onde as empresas não estão apenas interessadas em fazer lucro a todo o custo. Imagine um mundo onde as empresas estão empenhadas em gerar riqueza para todos, incluindo a comunidade em que se inserem. Imagine, também, um mundo onde as empresas não só têm consciência de que os recursos do planeta são limitados, como trabalham para que a economia moderna seja sustentável.

Dito assim, até parece que estamos a falar de uma utopia inalcançável, uma fábula realizada apenas através de um guião de Hollywood. Mas a verdade é que estas empresas existem e não são apenas pequenas corporações feitas por um punhado de sonhadores que vê o meio ambiente (e também os seus funcionários) como uma prioridade. Há grandes multinacionais como a Danone a passar para o lado de lá, para o lado de quem prioriza os mais altos standards de desempenho ambiental e social.
 

 

“A Hovione decidiu aderir ao movimento B por rever aqui os seus valores e assim poder aprofundar mais a sua aplicação prática. Sempre fez parte do ADN da Hovione desenvolver o negócio tendo em atenção as pessoas e o ambiente, e encontrámos neste movimento o alinhamento perfeito para reforçar essa mensagem e divulgá-la no mundo inteiro. A Hovione tem quase 60 anos e desde sempre se preocupou com as pessoas que nela trabalham e com o bem-estar das suas famílias, desde oferecendo pão, leite e água até investindo em cantinas onde as refeições são confecionadas no local. A preocupação com o ambiente que nos envolve levou a que, na década de ‘90, a Hovione investisse na construção de uma fábrica exclusivamente dedicada à recuperação e reciclagem dos solventes que utiliza nos seus processos de fabrico. Também a comunidade local em todos os locais onde operamos recebeu sempre uma atenção particular, contribuindo para o seu bem-estar e para o seu desenvolvimento. O sistema B torna-se bastante forte e presente na medida em que proporciona às organizações uma ferramenta de divulgação da sua forma de estar, promovendo um alinhamento com os melhores exemplos e evidenciando que é possível fazer negócios contribuindo para um mundo melhor.”

Maria José Macedo, Directora para a Sustentabilidade, Hovione

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Numa época em que as mulheres não trabalhavam, aos 19 anos Diane Villax era ”correspondente em línguas estrangeiras” numa empresa de representações. Aí aprendeu as bases para ajudar a desenvolver a Hovione, que criou com o marido há 66 anos. Hoje a empresa emprega mais de 2500 colaboradores e é fornecedor de preferência de algumas das maiores farmacêuticas do mundo. Quando entramos na sala da unidade fabril da Hovione em Sete Casas, Loures, Diane Villax espera-nos sentada, tranquila, pronta para quase uma hora de conversa e fotografias. Afável e bem-disposta, e com um rigor que se nota nas respostas, revela um enorme orgulho pela empresa que criou, em 1959  com o marido e dois compatriotas  húngaros. Ivan Villax era engenheiro químico com várias patentes de processo e a Hovione nasceu para fabricar antibióticos. Desde o primeiro dia os seus olhos estavam postos no mercado mundial  e foi a partir de casa, na Travessa do Ferreiro, que durante 10 anos produziu para o seu primeiro cliente importante, o mercado japonês, conhecido pelo elevado grau de exigência. Em 1969 foi construída a primeira fábrica em Loures, e, em 1986, iniciada a produção na segunda unidade fabril em Macau. A estas juntaram-se, já nos anos 2000, New Jersey, nos Estados Unidos e Cork, na Irlanda. Hoje, a Hovione emprega mais de 2500 colaboradores, dos quais mais de 300 são cientistas — é a empresa privada que mais doutorados emprega em Portugal – e orgulha-se de ser fornecedor de preferência de várias das maiores farmacêuticas do mundo. O casal Villax tinha tarefas distintas na empresa. Ivan era o inventor e Diane tratava da parte administrativa, a partir de casa. Não teve formação para empresária, apenas um curso de estenografia e datilografia e, antes de casar, um emprego numa empresa de importação, que em três anos lhe deu as bases necessárias para ajudar a desenvolver a Hovione. O seu método e rigor ajudaram-na a lidar com os bancos no início da empresa, porque os seus conhecimentos sobre negócios eram escassos. Ivan Villax faleceu em 2003, deixando uma descendência de quatro filhos e 16 netos, que têm a missão de continuar a desenvolver a empresa. Aos 91 anos, Diane Villax já não está no dia-a-dia da Hovione, mas lê as inúmeras noticias que recebe diariamente sobre a evolução do setor farmacêutico,  bem como toda a informação sobre a empresa. Gosta de estar atualizada para acrescentar valor às reuniões do Conselho de Administração. “Se eu não estou a par, os meus filhos reformam-me”, ironiza. Depois de conhecer Diane Villax na sua primeira unidade fabril, a 14 de janeiro, não estranhamos quando nos despedimos e a vemos com as chaves do seu carro na mão, pronta para conduzir para as Amoreiras para assistir a La Traviata. “Gosto muito de La Traviata!”, diz com o mesmo sorriso afável com que nos recebeu uma hora antes. Quais foram os marcos principais desta história que já conta 66 anos? O primeiro marco foi o que nos lançou e o que nos permitiu desenvolvermo-nos. No fim dos anos 1960 e durante todos os anos 1970, o Japão foi o nosso mercado principal. Durante 10 anos fornecemos a indústria japonesa a partir de nossa casa, numa cave da Travessa do Ferreiro. O meu marido era muito inovador. Tinha patentes de processo e em todo o mundo não anglo-saxónico não havia patentes de produtos farmacêuticos. Quando casámos já ele tinha patentes de invenção sobre toda a gama dos corticosteroides. No Japão, naquela altura, não fabricavam a matéria-prima, só formulavam o produto final, necessitando, portanto, de comprar o ingrediente ativo. Os eventuais clientes descobriram que em Portugal um certo Ivan Villax tinha patentes sobre essa gama de produtos na qual eles tinham interesse e vieram bater à nossa porta. Acharam que o nosso IP era robusto, a tecnologia era ótima e a qualidade do produto era excelente. A qualidade para o Japão é um “sine qua non”. Iniciámos uma colaboração que durou mais de 10 anos e nos permitiu construir a nossa primeira fábrica, em Sete Casas (Loures), que iniciou a produção em 1971. O segundo momento importante foi o lançamento no mercado dos Estados Unidos, em 1982. É um mercado gigantesco, competitivo, exigente, mas que reconhece serviço e qualidade. O meu marido tinha a patente de processo para o fabrico de um antibiótico de largo espetro, a doxiciclina, cuja patente do inovador caducou precisamente no verão de 1982. Tinha-se feito algum estudo de mercado certamente, mas não pensávamos que a procura seria tão grande. Até hoje já fornecemos centenas de toneladas de doxiciclina ao mercado norte-americano a partir da nossa fábrica de Macau. “Desde o primeiro dia, o mundo é o nosso mercado. E sempre quisemos ser uma boutique, criar um nicho no mercado. Somos mestres no que oferecemos.”     Leia o artigo completo em Executiva.pt  

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