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Artigo de Imprensa / Abr 08, 2021

Hovione renova e atribui novas bolsas de estudo a alunos do Técnico

Técnico Lisboa Online, 8 de abril 2021

imagem de vários participantes em reuniao online a decorrer

Dois alunos já apoiados em anos anteriores viram este apoio ser renovado, e mais duas alunas juntarem-se ao leque de bolseiros do programa “Hovione Solidária na Educação”

 

Não foram nada parcas as palavras de agradecimento proferidas pelos quatro alunos apoiados este ano letivo pela Hovione na cerimónia de assinatura dos contratos de bolsa que decorreu na passada terça-feira, 30 de março. Inês Martins, aluna de Engenharia Biomédica, e Gilda Carvalho, aluna de Engenharia Química, são as novas alunas apoiadas pela empresa farmacêutica; Ricardo Dias e Ana Oliveira, ambos alunos de Engenharia Química, renovam as bolsas atribuídas já desde ano letivo de 2017/2018. Cientes do valor deste apoio, os bolseiros usaram o tempo de antena que lhes foi concedido na cerimónia virtual- contornando o nervosismo que tende a caraterizar estes momentos- para expressar o seu agradecimento para com a empresa mecenas.

 

“Sou bolseira da Hovione desde o primeiro ano, o que para mim é um grande privilégio. A Hovione está a promover o meu ciclo de estudos, permitindo um grande alívio financeiro aos meus pais e estou muito grata por isso”, vincou Ana Oliveira. “Foi definitivamente até agora um prazer e um orgulho ter esta bolsa que me aliviou e muito os custos de ser um aluno deslocado. Este apoio permitiu-me focar apenas na universidade e por isso ser capaz de me dedicar mais, algo que se tem vindo a refletir nas minhas notas”, referiu, por sua vez, Ricardo Dias.

 

Apesar de este ser apenas o primeiro ano em que vai receber a bolsa de estudo, Gilda Carvalho já é capaz de adivinhar o impacto que terá na sua vida e foi isso mesmo que fez questão de transmitir na sua intervenção. “Sempre me considerei muito afortunada por poder continuar a estudar, poder fazê-lo no Instituto Superior Técnico e dou muito valor a todos os sacrifícios que a minha família fez para que tal pudesse acontecer e até hoje nada me faltasse. Mas também tenho sentido muita vontade de retribuir esse esforço e começar a criar a minha independência e isso vai ser possível com esta bolsa e será uma grande ajuda”, referia a aluna.  “Além disso, ser bolseira irá ajudar a manter a minha motivação e organização em mais um semestre atípico, por isso a oportunidade não podia ter vindo em melhor altura”, acrescentou.

 

“Um sentimento de alívio e felicidade extrema”, invadiu Inês Martins quando soube que seria bolseira da Hovione. “Senti que o meu mérito e o meu esforço estavam a ser reconhecidos”, disse a aluna. “Por outro lado, veio também motivar-me ainda mais a ser uma boa aluna, a lutar pelos meus sonhos e nos meus objetivos, permitindo-me então focar-me na minha formação”, adicionou ainda a aluna de Engenharia Biomédica.

 

As palavras dos bolseiros tocaram o Dr. Sebastião Villax, representante do Comité de Mecenato da Hovione, como o próprio confessou na sua intervenção. “Sinto que foram tiradas lá do fundo e agradeço-vos imenso por isso”, disse. O representante da Farmacêutica sublinhou que para a empresa “as universidades portuguesas são a maior fonte de capital humano” e “cruciais no desenvolvimento e mais tarde no sucesso profissional dos seus estudantes”. “O Instituto Superior Técnico é uma grande prova disso mesmo, é uma instituição reconhecida não só a nível nacional, mas altamente prestigiada a nível internacional. Acho que o Técnico forma os melhores e as melhores que são, pois claro, de enorme valor para a Hovione”, afirmou. Por isto, através destas bolsas, a farmacêutica pretende “reconhecer esta importância que o ensino superior português tem no sucesso destes estudantes, apoiando estes os alunos de áreas de conhecimento próximas da nossa atividade para que não tenham obstáculos para serem excelentes”,como salientou Sebastião Villax que desejou aos bolseiros “os maiores sucessos, que claramente estão ao vosso alcance”.

 

O professor Alexandre Francisco, vice-presidente do Técnico para os Assuntos Académicos, também não deixou escapar a oportunidade de, ao abrir a cerimónia, agradecer este contributo e iniciativa da Hovione em apoiar os alunos, reconhecer o seu mérito e contribuir para o seu sucesso.  “É muito importante para nós ver reconhecido não só o mérito dos nossos estudantes, como também ver estas iniciativas que apoiam especialmente alunos que de outra forma teriam maiores dificuldades em continuar os seus estudos, muito em particular nesta altura de pandemia em que dificuldades tendem a aumentar”.  “Tenho a certeza que os nossos alunos vão aproveitar ao máximo estas bolsas”, finalizou.

 

Na cerimónia virtual participaram também o engenheiro Hélder Delgado, Sustainability Specialist da Hovione, a presidente do Departamento de Engenharia Química (DEQ), professora Teresa Duarte, professora Isabel Marujo, vice-presidente do DEQ para os Assuntos Científicos, e a professora Cláudia Lobato da Silva, coordenadora adjunta do Mestrado Integrado em Engenharia Biomédica e Isabel Gonçalves, coordenadora do Núcleo de Desenvolvimento Académico (NDA).

 

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Numa época em que as mulheres não trabalhavam, aos 19 anos Diane Villax era ”correspondente em línguas estrangeiras” numa empresa de representações. Aí aprendeu as bases para ajudar a desenvolver a Hovione, que criou com o marido há 66 anos. Hoje a empresa emprega mais de 2500 colaboradores e é fornecedor de preferência de algumas das maiores farmacêuticas do mundo. Quando entramos na sala da unidade fabril da Hovione em Sete Casas, Loures, Diane Villax espera-nos sentada, tranquila, pronta para quase uma hora de conversa e fotografias. Afável e bem-disposta, e com um rigor que se nota nas respostas, revela um enorme orgulho pela empresa que criou, em 1959  com o marido e dois compatriotas  húngaros. Ivan Villax era engenheiro químico com várias patentes de processo e a Hovione nasceu para fabricar antibióticos. Desde o primeiro dia os seus olhos estavam postos no mercado mundial  e foi a partir de casa, na Travessa do Ferreiro, que durante 10 anos produziu para o seu primeiro cliente importante, o mercado japonês, conhecido pelo elevado grau de exigência. Em 1969 foi construída a primeira fábrica em Loures, e, em 1986, iniciada a produção na segunda unidade fabril em Macau. A estas juntaram-se, já nos anos 2000, New Jersey, nos Estados Unidos e Cork, na Irlanda. Hoje, a Hovione emprega mais de 2500 colaboradores, dos quais mais de 300 são cientistas — é a empresa privada que mais doutorados emprega em Portugal – e orgulha-se de ser fornecedor de preferência de várias das maiores farmacêuticas do mundo. O casal Villax tinha tarefas distintas na empresa. Ivan era o inventor e Diane tratava da parte administrativa, a partir de casa. Não teve formação para empresária, apenas um curso de estenografia e datilografia e, antes de casar, um emprego numa empresa de importação, que em três anos lhe deu as bases necessárias para ajudar a desenvolver a Hovione. O seu método e rigor ajudaram-na a lidar com os bancos no início da empresa, porque os seus conhecimentos sobre negócios eram escassos. Ivan Villax faleceu em 2003, deixando uma descendência de quatro filhos e 16 netos, que têm a missão de continuar a desenvolver a empresa. Aos 91 anos, Diane Villax já não está no dia-a-dia da Hovione, mas lê as inúmeras noticias que recebe diariamente sobre a evolução do setor farmacêutico,  bem como toda a informação sobre a empresa. Gosta de estar atualizada para acrescentar valor às reuniões do Conselho de Administração. “Se eu não estou a par, os meus filhos reformam-me”, ironiza. Depois de conhecer Diane Villax na sua primeira unidade fabril, a 14 de janeiro, não estranhamos quando nos despedimos e a vemos com as chaves do seu carro na mão, pronta para conduzir para as Amoreiras para assistir a La Traviata. “Gosto muito de La Traviata!”, diz com o mesmo sorriso afável com que nos recebeu uma hora antes. Quais foram os marcos principais desta história que já conta 66 anos? O primeiro marco foi o que nos lançou e o que nos permitiu desenvolvermo-nos. No fim dos anos 1960 e durante todos os anos 1970, o Japão foi o nosso mercado principal. Durante 10 anos fornecemos a indústria japonesa a partir de nossa casa, numa cave da Travessa do Ferreiro. O meu marido era muito inovador. Tinha patentes de processo e em todo o mundo não anglo-saxónico não havia patentes de produtos farmacêuticos. Quando casámos já ele tinha patentes de invenção sobre toda a gama dos corticosteroides. No Japão, naquela altura, não fabricavam a matéria-prima, só formulavam o produto final, necessitando, portanto, de comprar o ingrediente ativo. Os eventuais clientes descobriram que em Portugal um certo Ivan Villax tinha patentes sobre essa gama de produtos na qual eles tinham interesse e vieram bater à nossa porta. Acharam que o nosso IP era robusto, a tecnologia era ótima e a qualidade do produto era excelente. A qualidade para o Japão é um “sine qua non”. Iniciámos uma colaboração que durou mais de 10 anos e nos permitiu construir a nossa primeira fábrica, em Sete Casas (Loures), que iniciou a produção em 1971. O segundo momento importante foi o lançamento no mercado dos Estados Unidos, em 1982. É um mercado gigantesco, competitivo, exigente, mas que reconhece serviço e qualidade. O meu marido tinha a patente de processo para o fabrico de um antibiótico de largo espetro, a doxiciclina, cuja patente do inovador caducou precisamente no verão de 1982. Tinha-se feito algum estudo de mercado certamente, mas não pensávamos que a procura seria tão grande. Até hoje já fornecemos centenas de toneladas de doxiciclina ao mercado norte-americano a partir da nossa fábrica de Macau. “Desde o primeiro dia, o mundo é o nosso mercado. E sempre quisemos ser uma boutique, criar um nicho no mercado. Somos mestres no que oferecemos.”     Leia o artigo completo em Executiva.pt  

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